Radio do Bloguer do capitão.

sábado, 21 de abril de 2018

A BARBA NO HOMEM E O SEU SIGNIFICADO


Introdução    

            Se você tem um filho que se encontra entre a pré-adolescência e/ou adolescência, é bem provável que já o tenha visto com o rosto raspado. Mesmo não tendo pelo algum em sua face. Lembro-me muito bem desta fase, pois eu ficava vendo meu pai fazer a sua barba. Na primeira oportunidade, pegava o seu barbeador (que era usado com uma gillete) e o creme de barbear e fazia a minha barba, mesmo não tendo nem um pelo no rosto, ele era totalmente liso (hoje meu filho faz o mesmo,16 anos de idade).
            No meu caso, houve uma situação que veio me obrigar em fazer a barba diariamente, pois aos 18 anos de idade, ingressei na carreira militar. No início, quando estávamos na Academia de Polícia, era obrigatório barbear-se todos os dias, inclusive, na formatura matinal, um dos monitores (sargento ou oficial), costumava pegar um pequeno “chumaço” de algodão para passar em nosso rosto. Se ele agarrasse na pele, era certo passar o final de semana  sem  ir para casa (LS - Licenciamento Sustado).
            Estive 30 anos na carreira militar, portanto, foram muitos anos sem poder deixar a barba crescer, a não ser quando saiamos de férias. Talvez por isso, hoje venho preservando a barba crescida, pois minha esposa e filhos gostaram e se acostumaram como o novo visual e, ao mesmo tempo, descansa e suaviza a pele do rosto.
            Um dos motivos para os adolescentes adotarem esta atitude, prende-se ao fato de que a barba passa a impressão de sermos adultos e responsáveis (mais velhos). Tem uma colocação do Pastor John Weaver[1] (2013), quando cita uma das falas da peça teatral de William Shakespeare – o Barulho por Nada, que se encaixa perfeitamente nesta atitude do jovem adolescente, que diz assim: “aquele que tem barba é mais do que um jovem; mas aquele que não tem barba é menor do que um homem”.
Na antiguidade, em geral, em quase todas as civilizações da terra, a barba do homem representou, entre outras coisas, sinal de amadurecimento, honra, responsabilidade e masculinidade (ou varonilidade).
            Neste ano de 2018, estou completando 20 anos de caminhada e busca ao aprendizado da doutrina de nosso Mestre Jesus Cristo. Durante este período que estou na presença do Senhor, passei pela membresia de três igrejas cristãs, ambas da Assembleia de Deus. Observei nestas e outras igrejas de mesma  denominação, que alguns de seus dirigentes (Pastores) tem certo receio ou preconceito quanto ao obreiro fazer uso da barba.
Nesse sentido, despertou-me a curiosidade em pesquisar sobre o assunto na Sagrada Escritura. E sempre vinha na mente dois textos Bíblicos que registram narrativas acerca deste assunto. Um encontra-se no Livro de 2 Samuel 10:4, que relata o momento em que o rei Hanum manda raspar a metade da barba dos homens de Davi, o outro, é o Salmo 133:2, que diz assim: “É como o óleo precioso sobre a cabeça, que desce sobre a barba de Arão (ele era o Sumo Sacerdote), e que desce à orla das suas veste”.
Este artigo, tem como propósito apresentar o contexto histórico e teológico acerca do uso da barba pelo homem e o seu significado. Vale lembrar que quase todo o conteúdo deste artigo, foi extraído de um estudo aprofundado do Pastor John Weaver, que ministrou este Sermão a aproximadamente 40 anos atrás (cf. http//:www.espada.eti.br/barba.asp - A Espada do Espírito). Se você interpreta bem o idioma inglês, pode ouvir este sermão: http://.SermonAudio.com
No entanto, acrescentei algumas passagens Bíblicas e acréscimos na interpretação de textos, para melhor aprendizado do leitor e do irmão em Cristo.

Desenvolvimento

            A narrativa de 2 Samuel 10:1-7, me deixava bastante intrigado, pois eu, na minha ignorância, perguntava: porque Davi não mandou que seus homens retirassem o restante da barba que ficou em seus rostos? Não, ele não fez isso, mas mandou-os para a cidade de Jericó, ficando lá até que a barba nascesse novamente.
Nesta passagem Bíblica, para conhecimento do leitor, narra a morte de um determinado rei, sendo que como era o costume à época, seu filho Hanum assumiu o seu lugar. Este rei tinha sido benevolente com Davi, sendo assim, Davi enviou alguns de seus homens para apresentar seu pesar pela morte de seu pai e, também, para poder consolá-lo.     
 
2 Samuel 10:1-7. E aconteceu depois disto que morreu o rei dos filhos de Amom, e seu filho Hanum reinou em seu lugar. Então disse Davi: Usarei de benevolência com Hanum, filho de Naás, como seu pai usou de benevolência comigo. E enviou Davi os seus servos para consolá-lo acerca de seu pai; e foram os servos de Davi à terra dos filhos de Amom. Então disseram os príncipes dos filhos de Amom a seu senhor, Hanum: Porventura honra Davi a teu pai aos teus olhos, porque te enviou consoladores? Não te enviou antes Davi os seus servos para reconhecerem esta cidade, e para espiá-la, e para transtorná-la? Então tomou Hanum os servos de Davi, e lhes raspou metade da barba, e lhes cortou metade das vestes, até às nádegas, e os despediu. Quando isso foi informado a Davi, enviou ele mensageiros a encontrá-los, porque estavam aqueles homens sobremaneira envergonhados. Mandou o rei dizer-lhes: Deixai-vos estar em Jericó, até que vos torne a crescer a barba, e então voltai. Vendo, pois, os filhos de Amom que se tinham feito abomináveis para com Davi, enviaram os filhos de Amom, e alugaram dos sírios de Bete-Reobe e dos sírios de Zobá vinte mil homens de pé, e do rei de Maaca mil homens e dos homens de Tobe doze mil homens. E ouvindo Davi, enviou a Joabe e a todo o exército dos valentes (sublinhamos).

            A narrativa não registra em nenhum momento que estes homens ficaram envergonhados por causa de deixar transparecer as suas nádegas, mas, quanto ao rasparem a metade de suas barbas, sim. Separei esta passagem Bíblica e decidi buscar a sua explicação. Adotei o mesmo comportamento dos Bereanos, cidadãos da cidade de Beréia, que distava aproximadamente 80 quilometros de Tessalônica, indo buscar as respostas na Palavra de Deus.
Paulo e Silas tinham chegado nesta cidade e começaram a pregar nas sinagogas dos judeus acerca das “Boas Novas” de Cristo. Os Bereanos não adotaram o mesmo comportamente de outras cidades, aos quais foram muito hostis para com eles. Pelo contrário, ouviam com muita atenção o que diziam, depois buscavam respaldo do que falavam nas Escrituras Sagradas: “A glória de Deus está nas coisas encobertas; mas a honra dos reis, está em descobri-las” (Provérbios 25:2).  
  
Atos 17:10-12. E logo os irmãos enviaram de noite Paulo e Silas a Beréia; e eles, chegando lá, foram à sinagoga dos judeus. Ora, estes foram mais nobres do que os que estavam em Tessalónica, porque de bom grado receberam a palavra, examinando cada dia nas Escrituras se estas coisas eram assim. De sorte que creram muitos deles, e também mulheres gregas da classe nobre, e não poucos homens.

            Vale ressaltar que esta atitude dos moradores da cidade de Beréia, vale como grande aprendizado para o nosso tempo, pois podemos ouvir a palavra de qualquer individuo que se diz cristão, mas se tivermos que tomar alguma decisão, devemos buscar na Palavra de Deus, verificando se o que foi dito, concorda plenamente com as Escrituras Sagradas.
            Quanto ao segundo texto, registrado no Salmo 133:2: “É como o óleo precioso sobre a cabeça, que desce sobre a barba de Arão (ele era o Sumo Sacerdote), e que desce à orla das suas veste”. Este óleo que desce pela barba do Sumo Sacerdote Arão, irmão de Moisés, significava que as bênçãos de Deus estava sobre Ele e sobre o Seu povo.

Salmo 133:1-3. Oh! quão bom e quão suave é que os irmãos vivam em união. É como o óleo precioso sobre a cabeça, que desce sobre a barba, a barba de Arão, e que desce à orla das suas vestes. Como o orvalho de Hermom, e como o que desce sobre os montes de Sião, porque ali o SENHOR ordena a bênção e a vida para sempre." (grifamos).

Muitos anos atrás, meu professor de Teologia – Pr. Daniel, disse que tinha estado próximo ao Monte Hermom. Ele tem 2.814 metros de altitude, e o seu pico está quase sempre coberto de neve, enquanto as terras ao redor queimam pelo sol de verão. Ele fica situado entre a fronteira entre o Libano e a Siria.
Quando o Salmista faz a comparação entre o “óleo que desce sobre a barba de Arão” e o “orvalho do monte Hermom”, isto se deve ao fato de que, com o aquecimento climático, sua neve derrete e irriga toda a região árida a sua volta, ou seja, traz grandes bênçãos aos moradores daquela região.
            Sendo assim, as bênçãos de Deus são como o óleo da unção, o unguento precioso que escorria pela barba dos sacerdotes e a neve que escorria do monte Hermom, umedecendo toda a terra. Assim, uma barba bem crescida e bem cuidada indica as bênçãos de Deus sobre a vida de um homem e sua dedicação ao serviço de Deus.
            Portanto, hoje consigo entender perfeitamente, o motivo do uso da barba longa e bem tratada pelos Hebreus (ou Judeus), além de fazer parte da Lei, trazia grandes bênçãos e era uma desonra ou violação tê-la raspada.

Levítico 19:26-28. Não comereis coisa alguma com o sangue; não agourareis nem adivinhareis. Não cortareis o cabelo, arredondando os cantos da vossa cabeça, nem danificareis as extremidades da tua barba. Pelos mortos não dareis golpes na vossa carne; nem fareis marca alguma sobre vós. Eu sou o SENHOR (grifamos).

            Em relação a parte “b”, do versículo 26, que diz: “(...). Não arredondando os cantos da vossa cabeça”. Segundo o historiador grego Heródoto, os adoradores das estrelas e dos planetas cortavam seus cabelos igualmente em volta, aparando as extremidades. Costume também adotado pelos povos árabes que raspavam o cabelo em volta da cabeça e deixavam somente um cacho no alto, em honra ao deus Baco.

Levítico 21:5-6. Não farão calva na sua cabeça, e não raparão as extremidades da sua barba, nem darão golpes na sua carne. Santos serão a seu Deus, e não profanarão o nome do seu Deus, porque oferecem as ofertas queimadas do SENHOR, e o pão do seu Deus; portanto serão santos (grifamos).

            A barba para o homem Hebreu era muito mais do que o simples fato de ter pelos no rosto. Eles viam a barba como sendo a “glória e o orgulho do homem”. Afirmavam que a “glória do rosto do homem é a sua barba” (Colmet’s Dict. Of The Bible, 1832). Esta importância e representatividade da barba me fez lembrar de outra passagem Bíblica intrigante, que se encontra em 2 Samuel 20:9-10 – como os Hebreus tinham por costume e fazia parte da Lei usar longas barbas, ao realizarem o cumprimento de um homem para com o outro, pegava-se na barba e a beijava (e não no rosto como fazemos nos dias de hoje).

2 Samuel 20:9-10. E disse Joabe a Amasa: Vai contigo bem, meu irmão? E Joabe, com a mão direita, pegou a barba de Amasa, para o beijar. E Amasa não se resguardou da espada que estava na mão de Joabe, de sorte que este o feriu com ela na quinta costela e lhe derramou por terra as entranhas; e não o feriu segunda vez, e morreu (grifamos).

            Talvez, por ser costume este tipo de cumprimento entre eles, Amasa não atentou para o fato de que Joabe poderia mata-lo. Além disso, o uso da barba trazia distinção entre o homem e a mulher, conforme ficou muito bem caracterizado no ato da criação humana, efetuado por nosso Deus; pois Ele os criou macho e femea. Quem trouxe a distinção de fazer nascer cabelos na face do homem (a barba), foi Deus. E de não nascer na mulher (rosto liso), também foi Ele.  Dito com outras palavras, quem deu a barba aos homens foi Deus.

Gênesis 2:7,22-23. E formou o SENHOR Deus o homem do pó da terra, e soprou em suas narinas o fólego da vida; e o homem foi feito alma vivente. (...). E da costela que o SENHOR Deus tomou do homem, formou uma mulher, e trouxe-a a Adão. E disse Adão: Esta é agora osso dos meus ossos, e carne da minha carne; esta será chamada mulher, porquanto do homem foi tomada.

            Segundo escreveu John Weaver (2013); "O propósito imediato desta proibição (de rapar a barba) não era para evitar a licenciosidade ou se opor às práticas idólatras (...), mas manter a santidade da distinção entre os sexos (macho e femea), que foi estabelecida na criação do homem e da mulher e deixar claro que em relação a isto, Israel não deveria pecar. Qualquer violação ou remoção dessa distinção (da barba) era antinatural e, portanto, uma abominação aos olhos de Deus" (acréscimo nosso).
            Alguém disse que: “uma coisa é certa; um homem com barba e cabelos curtos nunca será confundido com uma mulher; por outro lado, um homem sem barba e de cabelos longos pode, em algumas circunstãncias, ser confundido com uma mulher, se seus traços faciais forem suaves. No tempo antigo, o homem sem a barba, era considerado efeminado (com aparência ou modos femininos).
            Clemente de Alexandria – um dos primeiros Padres da Igreja, chamava a barba de “adorno natural do homem”, e acrescentava que “não era permissível raspá-la”. Ele fez uma analogia que reputo como maravilhosa, comparando a mulher com o cavalo e  o homem com o leão:

 "Deus planejou que a mulher tenha a pele suave e lisa, orgulhando-se nas mechas naturais de seus cabelos, como um cavalo com sua crista". "Mas ao homem, Ele adornou como o leão, com uma barba..." (The Fathers of the Church, 214). Esta, então, é a marca do homem, a barba. Por ela, ele é reconhecido como um homem. Ela é mais antiga do que Eva. É o símbolo da natureza superior... Portanto, é uma atitude ímpia profanar o símbolo da masculinidade, os pelos da face. — Clemente de Alexandria (vol 2, pág. 276).

            No passado, somente era permitido raspar a barba, caso o homem viesse a contrair uma doença conhecida por lepra, por luto ou por calamidade. Portanto, quando um homem era acometido por esta enfermidade, era-lhe permitido rapar a barba. A lepra na Bíblia representava sinal de pecado, de morte e de julgamento de Deus.

Levítico 13:29-30,33. E, quando homem ou mulher tiver chaga na cabeça ou na barba, e o sacerdote, examinando a chaga, e eis que, se ela parece mais funda do que a pele, e pêlo amarelo fino há nela, o sacerdote o declarará por imundo; é tinha, é lepra da cabeça ou da barba. Então se rapará; mas não rapará a tinha; e o sacerdote segunda vez encerrará o que tem a tinha por sete dias (grifamos).
(...)
Levítivo 14:9. E será que ao sétimo dia rapará todo o seu pêlo, a sua cabeça, e a sua barba, e as sobrancelhas; sim, rapará todo o pêlo, e lavará as suas vestes, e lavará a sua carne com água, e será limpo (grifamos).

            Lembre-se: Miriã, irmã de Arão (e de Moisés), quando se revoltou contra Moises, ficou leprosa. Geazi, servo do profeta Eliseu, quando mentiu para seu Senhor, inclusive enganou a Naamã, usando o nome do profeta, ficou leproso.

Números 12:9-10. Assim a ira do SENHOR contra eles se acendeu; e retirou-se. E a nuvem se retirou de sobre a tenda; e eis que Miriã ficou leprosa como a neve;
(...)
2 Reis 5:20-21,25-27. Então Geazi, servo de Eliseu, homem de Deus, disse: Eis que meu senhor poupou a este sírio Naamã, não recebendo da sua mão alguma coisa do que trazia; porém, vive o SENHOR que hei de correr atrás dele, e receber dele alguma coisa. E foi Geazi a alcançar Naamã; e Naamã, vendo que corria atrás dele, desceu do carro a encontrá-lo, e disse-lhe: Vai tudo bem? (...). Então ele entrou, e pós-se diante de seu senhor. E disse-lhe Eliseu: Donde vens, Geazi? E disse: Teu servo não foi nem a uma nem a outra parte. Porém ele lhe disse: Porventura não foi contigo o meu coração, quando aquele homem voltou do seu carro a encontrar-te? Era a ocasião para receberes prata, e para tomares roupas, olivais e vinhas, ovelhas e bois, servos e servas? Portanto a lepra de Naamã se pegará a ti e à tua descendência para sempre. Então saiu de diante dele leproso, branco como a neve.

            Somente depois que um homem ficava livre da lepra é que recebia a permissão de usar barba novamente, ou seja, a barba representava a liberdade da servidão do pecado, da morte e do julgamento de Deus. Um homem sem a barba ou com a face barbeada e lisa indicava que era um escravo e que estava em submissão a outro homem. Dito de outra forma, estar privado de uma barba era, e ainda é em alguns lugares no Oriente é, um distintivo de servidão. (Weaver, 2013).
            Assim, ter o rosto barbeado e liso era marca de ser um escravo e servo de outro homem. Este foi o caso de José, sendo vendido para Potifar como escravo por seus irmãos, demonstrou sua submissão ao seu senhor direto e a faraó, raspando a sua barba. Segundo o Pastor Weaver, Biblicamente falando, a barba indica que o homem está em submissão a Deus.

2 Coríntios 10:4-5. Porque as armas da nossa milícia não são carnais, mas sim poderosas em Deus para destruição das fortalezas; destruindo os conselhos, e toda a altivez que se levanta contra o conhecimento de Deus, e levando cativo todo o entendimento à obediência de Cristo;

            Quando ouvirmos ou pensarmos acerca de quaisquer assuntos, seja educação, política, governo, família, barba, vestimenta, cabelos, etc., tudo deve ser levado cativo em obediência à Deus e à Sua Palavra. Noutras palavras, a nossa mente (pensamento) deve se submeter à Palavra de Deus: “Muita paz têm os que amam a tua lei, e para eles não há tropeço” (Salmo 119:165).
            Além da autorização de ser retirada a barba em razão da lepra, também poderia ser arrancada, raspada ou deixada sem cuidados durante um tempo de grande tristeza, luto ou calamidade. Portanto, raspar a barba ou deixá-la sem cuidados significava a perda das bênçãos de Deus:

2 Samuel 19:24. Também Mefibosete, filho de Saul, desceu a encontrar-se com o rei, e não tinha lavado os pés, nem tinha feito a barba, nem tinha lavado as suas vestes desde o dia em que o rei tinha saído até ao dia em que voltou em paz (sublinhamos).

            Mefibosete, era o filho de Jonatas, o amigo amado do rei Davi e neto do rei Saul. Quando tinha 5 anos de idade, sofreu um tombo que o deixou aleijado. Quando adulto, foi enganado por seu servo - Ziba, isolando-se totalmente do convívio social, indo morar na cidade de Lo-Debar, que em hebraico significa “sem pasto”, inclusive abandonou os cuidados quanto ao trato do cabelo e da barba:

2 Samuel 4:4. E Jónatas, filho de Saul, tinha um filho aleijado de ambos os pés; era da idade de cinco anos quando as novas de Saul e Jónatas vieram de Jizreel, e sua ama o tomou, e fugiu; e sucedeu que, apressando-se ela a fugir, ele caiu, e ficou coxo; e o seu nome era Mefibosete.  

            Depois de um tempo, o rei Davi pergunta se vive ainda algum familiar de Saul: “(...): Há ainda alguém que ficasse da casa de Saul, para que lhe faça bem por amor de Jônatas?” (2 Samuel 9:1). E ele é informado sobre Mefibosete, filho de seu amigo querido Jonatas. Assim, manda busca-lo e restitui as terras de seu Avô, o rei Saul e, ainda, coloca-o para sentar-se à mesa todos os dias para comer pão com ele (2 Samuel 9:9-10).

Conclusão

            Espero que possamos estar desejosos de aprender cada dia mais acerca das coisas de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. Nosso desejo é que o leitor e irmão em Cristo, passe a ler as Escrituras diariamente, mas, se possível, com uma caneta e um papel ao lado, para fazer suas anotações ou assinalar suas dúvidas, para posteriormente buscar o esclarecimento daquela passagem, vindo a conhecer o contexto histórico e cultural da época. Com esta prática, poderemos evitar de fazermos interpretações e “julgamentos segundo a aparência” (João 7:24).


EDUARDO VERONESE DA SILVA
Evangelista e Membro da As. de Deus Nova Vida – Vila Velha/ES
Professor de Educação Física
Bacharel em Direito
Pós-graduado em Direito Militar



[1] John Weaver. Pastor a mais de 40 anos, prega normalmente na Geórgia e na Flórida. Ele é pastor dos ministérios Freedom Baptist em Fitzgerald, na Geórgia

O NOVO NASCIMENTO

Introdução

            Até agora, vimos acerca de como podemos vencer o pecado “que de tão perto nos rodeia”, depois aprendemos sobre o primeiro “remédio” disponibilizado por Deus para todo e qualquer pecador que é o “arrependimento” destes pecados e, agora iremos aprender acerca da regeneração – gerar de novo, ou seja, sobre o Novo Nascimento.
O texto separado pelo comentarista desta lição e que será desenvolvido para nossa aprendizagem, encontra-se no Evangelho de João 3:1-7,17-18:

João 3:1-7,17-18. E havia entre os fariseus um homem, chamado Nicodemos, príncipe dos judeus. Este foi ter de noite com Jesus, e disse-lhe: Rabi, bem sabemos que és Mestre, vindo de Deus; porque ninguém pode fazer estes sinais que tu fazes, se Deus não for com ele. Jesus respondeu, e disse-lhe: Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus. Disse-lhe Nicodemos: Como pode um homem nascer, sendo velho? Pode, porventura, tornar a entrar no ventre de sua mãe, e nascer? Jesus respondeu: Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus. O que é nascido da carne é carne, e o que é nascido do Espírito é espírito. Não te maravilhes de te ter dito: Necessário vos é nascer de novo. (...). Porque Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para que condenasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele. Quem crê nele não é condenado; mas quem não crê já está condenado, porquanto não crê no nome do unigênito Filho de Deus (sublinhamos).

            Este texto é muito rico de informações importantes para o nosso aprendizado; nesse sentido, extraímos algumas palavras ou orações dele, para detalhamentos:

            Verso 1 – “(...) os Fariseus”.  Era uma das principais seitas dos judeus (facção ou doutrina que se afasta da opinião geral) muito numerosos e de grande influência entre o povo. O termo “fariseu” significa entre outros sinônimos - “separado”. Eles não se misturavam com os demais povos, inclusive dos outros Israelitas e exigiam o cumprimento rigoroso da Lei e das Tradições judaicas.

Mateus 23:23-28. Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! pois que dizimais a hortelã, o endro e o cominho, e desprezais o mais importante da lei, o juízo, a misericórdia e a fé; deveis, porém, fazer estas coisas, e não omitir aquelas. Condutores cegos! que coais um mosquito e engolis um camelo. Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! pois que limpais o exterior do copo e do prato, mas o interior está cheio de rapina e de iniquidade. Fariseu cego! limpa primeiro o interior do copo e do prato, para que também o exterior fique limpo. Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! pois que sois semelhantes aos sepulcros caiados, que por fora realmente parecem formosos, mas interiormente estão cheios de ossos de mortos e de toda a imundícia. Assim também vós exteriormente pareceis justos aos homens, mas interiormente estais cheios de hipocrisia e de iniqüidade.
(...)
Mateus 7:1-6. Não julgueis, para que não sejais julgados. Porque com o juízo com que julgardes sereis julgados, e com a medida com que tiverdes medido vos hão de medir a vós. E por que reparas tu no argueiro que está no olho do teu irmão, e não vês a trave que está no teu olho? Ou como dirás a teu irmão: Deixa-me tirar o argueiro do teu olho, estando uma trave no teu? Hipócrita, tira primeiro a trave do teu olho, e então cuidarás em tirar o argueiro do olho do teu irmão. Não deis aos cães as coisas santas, nem deiteis aos porcos as vossas pérolas, não aconteça que as pisem com os pés e, voltando-se, vos despedacem.

            Nos textos em destaque acima, Jesus também faz uma censura de forma rigorosa contra eles, não deixando dúvidas de que a sua doutrina estava totalmente desvinculada daquela ao qual Ele estava propagando aos povos.

            “(...), um homem chamado Nicodemos”. Em hebraico seu nome significa “vitorioso sobre o povo”. Era um fariseu e membro do Sinédrio (antigo Supremo Tribunal dos Judeus, que durou até a destruição de Jerusalém no ano 70 A.D., constituído de 71 membros). Visitou Jesus no período da noite (João 3:2), fez uma defesa a Jesus contra os principais sacerdotes em Jerusalém (João 7:50-52) e ajudou a José de Arimatéia que, na verdade, não era o seu sobrenome, mas sim a cidade de onde viera – “Ramá”, que traduzido significa “altura, a retirar o corpo de Jesus da cruz e a sepultá-lo (João 19:38-42).
            “(...), príncipe dos judeus”. Geralmente, este termo ou palavra era usado frequentemente como “título” de soberania, principalmente para designar que a pessoa era o “chefe” ou a “pessoa principal” de uma Família ou de uma Tribo.

2 Crônicas 1:1-2. Salomão, filho de Davi, fortaleceu-se no seu reino; e o SENHOR seu Deus era com ele, e o engrandeceu sobremaneira. E falou Salomão a todo o Israel, aos capitães de mil e de cem, aos juízes e a todos os governadores em todo o Israel, chefes das famílias (grifamos).
(...)
João 12:31. Agora é o juízo deste mundo; agora será expulso o príncipe deste mundo (grifamos).
(...)
Atos 5:30-31. O Deus de nossos pais ressuscitou a Jesus, ao qual vós matastes, suspendendo-o no madeiro. Deus com a sua destra o elevou a Príncipe e Salvador, para dar a Israel o arrependimento e a remissão dos pecados (grifamos).

No Evangelho de João, o príncipe a que se refere o escritor é – Satanás, o nosso cruel adversário. Na Epistola de Atos dos Apóstolos, o seu autor - o médico Lucas, está fazendo referência a Jesus Cristo, como o nosso Príncipe e Salvador.

Verso 3 -  “(...), aquele que não nascer de novo não pode ver o Reino de Deus”.  Jesus deixa bem claro quanto a necessidade de haver o “novo nascimento” para se ter o acesso aos céus, haja vista que se não houver, o individuo não receberá o “passaporte” para a vida eterna e a salvação mediante a pessoa de Jesus Cristo.
Entre outros significados, o “nascer de novo” quer dizer que é preciso haver uma mudança ou transformação completa na vida do pecador (em mim e em você). Lembre-se do termo grego que se aplica a esta mudança – metanoeo. Se faz necessário mudar o seu modo de PensarSentir e de Agir. E esta mudança é operada ou promovida pelo próprio Deus e o Espírito Santo.

2 Pedro 2:1-6,9. E também houve entre o povo falsos profetas, como entre vós haverá também falsos doutores, que introduzirão encobertamente heresias de perdição, e negarão o Senhor que os resgatou, trazendo sobre si mesmo repentina perdição. E muitos seguirão as suas dissoluções, pelos quais será blasfemado o caminho da verdade. E por avareza farão de vós negócio com palavras fingidas; sobre os quais já de largo tempo não será tardia a sentença, e a sua perdição não dormita. Porque, se Deus não perdoou aos anjos que pecaram, mas, havendo-os lançado no inferno, os entregou às cadeias da escuridão, ficando reservados para o juízo; e não perdoou ao mundo antigo, mas guardou a Noé, pregoeiro da justiça, com mais sete pessoas, ao trazer o dilúvio sobre o mundo dos ímpios; e condenou à destruição as cidades de Sodoma e Gomorra, reduzindo-as a cinza, e pondo-as para exemplo aos que vivessem impiamente; (...). Assim, sabe o Senhor livrar da tentação os piedosos, e reservar os injustos para o dia do juízo, para serem castigados;

No texto em relevo, o apóstolo narra que o nosso Deus não perdoou nem mesmo aos anjos. Portanto, se quisermos ter acesso ao Reino de Deus, precisamos buscar incessantemente nascer de novo. Penso que esta atitude, deve ser uma busca diária e constante em nossas vidas.

Verso 5 – “(...), aquele que não nascer da água e do Espírito não pode entrar no Reino de Deus”. Quando lemos este texto, temos por certo de que Jesus estava fazendo referência a “obra regeneradora ou  purificadora do Espírito Santo”. E o apóstolo Paulo escreve em sua Epístola a Tito 3:4-7, ao fazer alusão ao mesmo assunto, quando diz:

Tito 3:4-7. Mas quando apareceu a benignidade e amor de Deus, nosso Salvador, para com os homens,
não pelas obras de justiça que houvéssemos feito, mas segundo a sua misericórdia, nos salvou pela lavagem da regeneração e da renovação do Espírito Santo, que abundantemente ele derramou sobre nós por Jesus Cristo nosso Salvador; para que, sendo justificados pela sua graça, sejamos feitos herdeiros segundo a esperança da vida eterna.

Portanto, o apóstolo está se referindo ao novo nascimento do crente, que pode ser visto de forma simbólica na realização do  “Batismo nas águas”, que é uma alusão ao sepultamento do “velho homem”, morrendo para o mundo e, agora, nascendo para Cristo. A partir de então, ele deve continuar a submeter-se a vontade de Deus, atentando para as coisas que são do alto (Romanos 12:1-2; Atos 19:1-6).

Mateus 3:1-6.  E, naqueles dias, apareceu João o Batista pregando no deserto da Judéia, e dizendo: Arrependei-vos, porque é chegado o reino dos céus. Porque este é o anunciado pelo profeta Isaías, que disse: Voz do que clama no deserto: Preparai o caminho do Senhor, Endireitai as suas veredas. E este João tinha as suas vestes de pelos de camelo, e um cinto de couro em torno de seus lombos; e alimentava-se de gafanhotos e de mel silvestre. Então ia ter com ele Jerusalém, e toda a Judéia, e toda a província adjacente ao Jordão; e eram por ele batizados no rio Jordão, confessando os seus pecados.

            Verso 17- “(...). Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para que condenasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele”.  A missão que foi confiada a Jesus por seu Pai Celestial, não foi a de trazer a condenação aos homens, mas a de promover a remissão de seus pecados para obter a sua salvação. E neste caso, Deus permitiu que Seu Filho fosse injuriado, açoitado, moído, vituperado e morto no madeiro, tudo para prover o perdão do pecado de seu povo e, com isso, torná-lo inocente e inculpável.  

Isaías 53:4-7. Verdadeiramente ele tomou sobre si as nossas enfermidades, e as nossas dores levou sobre si; e nós o reputávamos por aflito, ferido de Deus, e oprimido. Mas ele foi ferido por causa das nossas transgressões, e moído por causa das nossas iniquidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados. Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas; cada um se desviava pelo seu caminho; mas o SENHOR fez cair sobre ele a iniquidade de nós todos. Ele foi oprimido e afligido, mas não abriu a sua boca; como um cordeiro foi levado ao matadouro, e como a ovelha muda perante os seus tosquiadores, assim ele não abriu a sua boca.

Leitura Semanal:
Segunda: João 8:23-29. Jesus discursa sobre sua missão.
Terça: João 6:29-38. Jesus se apresenta como sendo o Pão da Vida.
Quarta: Romanos 5:12-15. Por Adão entra o pecado no mundo e Por Jesus a Graça e vida eterna.
Quinta: Romanos 10:8-13. Pela boca ocorre a confissão de pecados (...).
Sexta: João 14:1-7. As últimas instruções aos discípulos.
Sábado: João 15:1-9. Continuidade das instruções.

1. A Necessidade do Novo Nascimento:

            Como já foi dito anteriormente, para que ocorra o novo nascimento é necessário que o individuo se arrependa de seus pecados e creia no poder de Jesus para perdoá-lo. No diálogo entre Jesus e Nicodemos (João 3;1-6), homem da nobreza , membro do Sinédrio, religioso e praticante da Lei Mosaica, Jesus tenta fazê-lo entender que para conhecer o Filho de Deus, seria necessário tornar-se numa nova criatura, por meio do novo nascimento. Entretanto, ele não havia entendido como se daria isso.
            Vale lembrar para os nossos dias que, ser filho de Pastor ou de Obreiro, ter nascido num lar cristão ou ter certo conhecimento Bíblico, não é o bastante para conseguir este feito, pois é necessário haver uma regeneração completa, ou seja, um “gerar de novo”, isto é, um novo nascimento.

1.1  Novo Nascimento:  significa dizer que a pessoa deve ser “gerada” pelo Espírito Santo de Deus. Esta regeneração envolve a transformação de sua personalidade (e caráter). Seria comparável a ter a sua natureza recriada. Todo o seu modo de pensar e agir começa a ser mudado gradativamente.

Efésios 4:22-27. Que, quanto ao trato passado, vos despojeis do velho homem, que se corrompe pelas concupiscências do engano; e vos renoveis no espírito da vossa mente; e vos revistais do novo homem, que segundo Deus é criado em verdadeira justiça e santidade. Por isso deixai a mentira, e falai a verdade cada um com o seu próximo; porque somos membros uns dos outros. Irai-vos, e não pequeis; não se ponha o sol sobre a vossa ira. Não deis lugar ao diabo. Aquele que furtava, não furte mais; antes trabalhe, fazendo com as mãos o que é bom, para que tenha o que repartir com o que tiver necessidade. Não saia da vossa boca nenhuma palavra torpe, mas só a que for boa para promover a edificação, para que dê graça aos que a ouvem. E não entristeçais o Espírito Santo de Deus, no qual estais selados para o dia da redenção. Toda a amargura, e ira, e cólera, e gritaria, e blasfêmia e toda a malícia sejam tiradas dentre vós, antes sede uns para com os outros benignos, misericordiosos, perdoando-vos uns aos outros, como também Deus vos perdoou em Cristo.
             
            Observa-se neste texto, que a mudança deve ser feita tanto no agir (sua conduta) quanto no ato de falar. Portanto, é uma mudança completa do ser humano (Metanoia). Entenda que o “nascer da água é ter seus pecados lavados e purificados através do arrependimento sincero. E isto ocorre pelo ouvir a Palavra de Deus e pelo Sangue de Jesus que foi vertido no Calvário. Enquanto que o “nascer do Espírito” significa ter a natureza humana restaurada pelo Senhor Jesus (e o Espirito Santo).

1.2  E como se Nasce de Novo?  Para que isso aconteça é necessário que o indivíduo abra o coração para Deus e procure se envolver com as coisas que são do alto. Tem muitas pessoas que tem o seu coração endurecido para as coisas de Deus: “Não endureçais os vossos corações, assim como na provocação e como no dia da tentação no deserto” (Salmo 95:8).

Êxodo 4:21.  E disse o SENHOR a Moisés: Quando voltares ao Egito, atenta que faças diante de Faraó todas as maravilhas que tenho posto na tua mão; mas eu lhe endurecerei o coração, para que não deixe ir o povo.

            Neste texto, foi o Senhor quem endureceu o coração de Faraó, pois tinha outros propósitos para que ele não cedesse ao pedido de Moisés. Entretanto, outras coisas podem fazer com que o nosso coração seja endurecido, entre elas, o pecado, as más obras e a rejeição ao sagrado.

1 Pedro 1:21-23. E por ele credes em Deus, que o ressuscitou dentre os mortos, e lhe deu glória, para que a vossa fé e esperança estivessem em Deus; purificando as vossas almas pelo Espírito na obediência à verdade, para o amor fraternal, não fingido; amai-vos ardentemente uns aos outros com um coração puro; sendo de novo gerados, não de semente corruptível, mas da incorruptível, pela palavra de Deus, viva, e que permanece para sempre. 

2. A Ação do Mediador:

            No Antigo Testamento, era necessária a realização do sacrifício de animais para que o pecador (violador da lei divina) voltasse a ter comunhão com o Senhor. Em Levítico 16, vemos a pessoa do Sacerdote exercendo o papel deste mediador, mas ele usava um dos animais para ser o “emissário” (o enviado) desta mediação.

Levítico 16:21-22. E Arão porá ambas as mãos sobre a cabeça do bode vivo e sobre ele confessará todas as iniquidades dos filhos de Israel e todas as transgressões, segundo todos os seus pecados; e os porá sobre a cabeça do bode e enviá-lo-á ao deserto, pela mão de um homem designado para isso. Assim, aquele bode levará sobre si todas as iniquidades deles a terra solitária; e o homem enviará o bode ao deserto.

            Este ato era chamado de expiação pelo pecado. O termo “expiar” significa reparar um erro ou pecado mediante a aplicação de um castigo ou de uma pena. No Novo Testamento, quem assumiu o papel de mediador foi o próprio Filho de Deus, pois era necessário que o homem expiasse a sua culpa, para poder voltar a ter a comunhão com Deus. No entanto, ele não tinha capacidade e condições de fazê-lo, então Jesus Cristo, assumiu esta posição colocando-se entre Deus e o Homem para realizar esta mediação.

1 Timóteo 2:5. Porque há um só Deus e um só mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo, homem.
(...)
Gálatas 3:20,24. Ora, o medianeiro não o é de um só, mas Deus é um. (...). De maneira que a lei nos serviu de aio, para nos conduzir a Cristo, para que, pela fé, fôssemos justificados.

Portanto, não é mais necessário o sacrifício de animais para a remissão dos pecados, pois Ele foi o “Sacrifício Vicário”, isto é, ele nos substitui ou tomou o nosso lugar, promovendo com esta atitude a nossa inocência (isenção de culpa). Ele pagou a nossa divida com a sua morte na cruz. Somente o derramamento do “sangue de um inocente” seria capaz de remir a nossa culpa, para que o sacrifício fosse aceito por Deus: “Porque também Cristo padeceu uma vez pelos pecados, o justo pelos injustos, para levar-nos a Deus; mortificado, na verdade, na carne, mas vivificado pelo Espírito” (1 Pedro 3:18).

2.1 O Significado da Morte de Cristo: enquanto esteve aqui na terra, Jesus Cristo operou muitos milagres e maravilhas, inclusive deu um tom diferente ao comportamento humano através de seus ensinos e instruções.
Entretanto, o principal motivo d’Ele ter descido do céu para vir a terra, foi para trazer a salvação, remir o homem de seu pecado e reatar a sua comunhão com Deus. Foi assinalado quatro significados para a Sua morte:

2.1.1 - Morte Substitutiva: o próprio nome é bem explicativo. Ele nos substituiu, isto é, tomou o nosso lugar. Mesmo sem pecado e culpa, assumiu a nossa posição e tornou-se culpado por nós. Com isso Ele pagou a nossa dívida.

1 Pedro 2:22-24. O qual não cometeu pecado, nem na sua boca se achou engano, o qual, quando o injuriavam, não injuriava e, quando padecia, não ameaçava, mas entregava-se àquele que julga justamente, levando ele mesmo em seu corpo os nossos pecados sobre o madeiro, para que, mortos para os pecados, pudéssemos viver para a justiça; e pelas suas feridas fostes sarados (cf. Isaías 53:4-5).

2.1.2 – Morte Expiatória: outro significado para esta palavra é “purificar-se de crimes ou pecados”. Com a sua morte na cruz do Calvário, Ele promoveu a nossa purificação.

Hebreus 10:10,14,18.. Na qual vontade temos sido santificados pela oblação do corpo de Jesus Cristo, feita uma vez. (...). Porque, com uma só oblação, aperfeiçoou para sempre os que são santificados. (...). Ora, onde há remissão destes, não há mais oblação pelo pecado.

2.1.3 – Morte Sacrificial: Ele ofereceu-Se a Si mesmo como propiciação, isto é, um sacrifício voluntário, que foi oferecido para aplacar a ira de Deus contra a humanidade. Era necessário que Jesus morresse para que houvesse o cumprimento da justiça divina e, com este ato, pudesse promover a reconciliação entre Deus e os Homens.

1 João 4:10. Nisto está a caridade (amor); não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que ele nos amou e enviou seu filho para propiciação pelos nossos pecados.

2.1.4 – Morte Redentiva: o termo apresenta como sinônimo redenção ou redimir,  que significa “resgatar ou adquirir de novo”. Também é interpretado como sendo “isento de culpa ou pagar um preço por alguém que era devedor e, assim, torna-lo liberto”. Jesus fez isso por nós, pagou um “alto preço” para nos libertar das amarras do pecado.

1 Pedro 1:18-19. Sabendo que não foi com coisas corruptíveis, como prata ou ouro, que fostes resgatados da vossa vã maneira de viver que, por tradição, recebestes dos vossos pais, mas com o precioso sangue de Cristo, como de um cordeiro imaculado e incontaminado.

3.  Os Passos Seguintes Do Novo Nascimento:

            O homem vindo a arrepender-se sinceramente por seus pecados, ele recebe o perdão através da fé. Este homem passa a ser uma nova criatura, adquire uma nova criação, uma nova vida. Ele não se prende mais as coisas do passado, pois, “agora ele está em Cristo”, portanto, tornou-se numa nova criatura.

Gálatas 6:15. Porque, em Cristo Jesus, nem a circuncisão nem a incircuncisão têm virtude alguma, mas sim o ser uma nova criatura (cf. 2 Coríntios 5:17).

3.1 – A Justificação: estávamos aguardando a nossa condenação pelas inúmeras faltas cometidas, em vez disso, nós que éramos culpados, fomos declarados inocentes. Isto somente aconteceu porque Jesus Cristo já pagou o preço em nosso lugar. Através da pessoa de Jesus Cristo, Deus coloca o homem na posição de justo.
            Lembre-se: a justificação não nos foi concedida por causa de nossos méritos, mas pela misericórdia, graça, amor e perdão de Deus: ”Ora, não só por causa dele está escrito que lhe fosse tomado em conta, (...) o qual por nossos pecados foi entregue e ressuscitou para nossa justificação” (Romanos 4:23,25).

3.2 – A Regeneração: outros sinônimos são aplicados a esta palavra: renascer, restaurar, reabilitar e renovar. É assegurado que a justificação e a regeneração estão sempre juntas. O ato de “gerar de novo” é uma operação do Espírito Santo, feita no coração do pecador, conferindo-lhe um novo viver, uma reabilitação.

1 João 3:9. Qualquer que é nascido de Deus não comete pecado; porque a sua semente permanece nele; e não pode pecar, porque é nascido de Deus.
 
            Vê-se neste texto, que a regeneração vai inspirar um principio de santidade na vida do cristão, podendo influenciar outras pessoas através de seu bom testemunho de vida.

3.3 – A Santificação: o termo significa separação ou consagração. É a separação do cristão deste mundo corrupto para um Deus que é Santo: “Sabei, pois, que o Senhor separou para si aquele que lhe é querido” (Salmo 4:3).

1 Tessalonicenses 4:3-4. Porque esta é a vontade de Deus, a vossa santificação: que abstenhais da prostituição, que cada um de vós saiba possuir o seu vaso em santificação e honra.

            A santificação faz parte da vontade de Deus para nossas vidas, pois ela está na dependência de nossa vontade pessoal, mediante a fé.  Ela faz com que o convertido ao cristianismo, venha a tornar-se numa pessoa dedicada as coisas do Senhor.

3.4 – Consequências do Novo Nascimento: quando ocorre a transformação do individuo, ele passa a ter uma vida totalmente mudada. Podendo ser percebido pelas pessoas próximas a ele.

a) ela encontra paz e alívio interiormente (Mateus 11:28-30);
b) passa a viver uma nova vida de descanso e segurança em Cristo;
c) passa a ter uma nova perspectiva de vida;
d) torna-se participante da natureza divina e passa a ser filho de Deus (Gálatas 4:4-5; João 1:12).

Conclusão:

            Deus já tinha tudo preparado para que fosse promovida a reconciliação do homem. Ele enviou seu próprio filho, permitindo que fosse morto, pois assim, asseguraria a remissão dos pecados da humanidade. O que nos resta agora é passarmos a crer e aceitá-LO como sendo o único Senhor (Redentor) e Salvador de nossas vidas.