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quinta-feira, 6 de novembro de 2014

DIFERENÇAS ENTRE O PSIQUIATRA, PSICÓLOGO E O PSICANALISTA

Eduardo Veronese da Silva[1]


RESUMO: O artigo tem como objetivo, apresentar de forma simples a diferença entre a atuação desses três profissionais que são apresentados no titulo desse trabalho. O assunto despertou nosso interesse, por estarmos participando do Curso de Psicanálise Clínica, onde assistimos à aula de Introdução à Psicanálise e, ao mesmo tempo, por não sabermos distinguir essas diferenças laborativas até a realização desse trabalho acadêmico e quais são os pontos principais que os diferenciam, sendo que eles estão inseridos no quadro de especialistas da área de saúde mental.

Palavras-Chave: Psiquiatra – Psicólogo – Psicanalista - Paciente.


Muitas são as dúvidas da população em geral, de como se desenvolve a atividade laborativa do psiquiatra, psicólogo e psicanalista. Estes três profissionais atuam diretamente com pessoas que estão passando por algum tipo de desequilíbrio psíquico ou comportamental. Diante disso, buscar-se-á neste simples artigo acadêmico, apresentar de forma simples e objetiva para todo e qualquer leitor, as diferenças básicas entre eles, mas que podem nortear e trazer esclarecimentos importantes para toda a população.
Não há duvidas de que muitos avanços foram adquiridos pela medicina sobre aspectos da mente humana, mas a cada dia que se passa, novas são as descobertas sobre esta parte do corpo humano, ainda não totalmente desenhada e definida pela ciência.
Por isso, aumentam-se cotidianamente as pesquisas cientificas para que se obtenha um mapeamento melhor do cérebro humano e como se dá sua funcionalidade. Com isso, na realidade, tenta-se aproximar ao máximo do que vem a ser essa funcionalidade de forma integral. Por estas e outras incertezas e para tentar saná-las, surgiram com o decorrer dos anos, as categorias profissionais que por ora serão apresentadas neste artigo.

1.   INTRODUÇÃO À PSICANÁLISE

Nesta parte introdutória, faz-se necessário registrar que a psicanálise surgiu primeiramente como uma teoria ou método para ser aplicada ao ser humano, quando este apresentava algum distúrbio ou alteração a nível mental, mas que também, poderia desdobrar-se em uma anormalidade comportamental.
Esta teoria nasceu com o propósito inicial de tentar explicar como se dava o funcionamento da mente humana. Depois disso, ela partiu para novas descobertas para, então, vir a se transformar num método ou técnica de tratamento dos diversos transtornos e distúrbios mentais apresentados pelo ser humano à época.
Basicamente a teoria psicanalítica buscou se fundamentar sustentada sobre dois pilares: 1º - Que os processos psíquicos são em sua imensa maioria inconscientes e a consciência não é mais do que uma fração de nossa vida psíquica total e; 2º - Que os processos psíquicos inconscientes são dominados por nossas tendências sexuais.
Nesse sentido, não há como se falar ou escrever sobre a psicanálise, sem inserir o nome de seu criador e maior expoente – Sigmund Freud.  Quando o assunto tratado se relaciona ao que está registrado no segundo pilar, enfatizando a nossa tendência e inclinação para a sexualidade, isso nos remete diretamente a ele, tendo em vista que em suas pesquisas, Freud buscou explicar a vida humana, seja ela pessoal ou pública (em sociedade), recorrendo ao aspecto sexual como primeiro plano e referência, dando-lhe o nome de libido. Esta expressão traz o significado, como sendo uma energia fundamental apresentada no ser vivo que se manifesta pela sexualidade, ou seja, pelo seu desejo sexual (consciente ou inconsciente).
Com isso, o pai da psicanálise designou que essa energia sexual seria apresentada de forma mais geral e indeterminada. Ele descobriu que a libido, em suas primeiras manifestações, ligava-se a outras funções vitais do ser humano; por exemplo: no caso do bebê que mama, o ato de sugar o seio materno provoca outro prazer além do de se obter o alimento, e esse prazer passa a ser buscado por si mesmo. Pode-se dizer que, nesta fase humana, o bebê não vê ainda a sua mãe como objeto de prazer, mas sim, os seus seios. Por isso, Freud afirmou que a boca do bebê é uma zona erógena e considerou que o prazer provocado pelo ato de sugar é meramente sexual.
Posto isso, a psicanálise compreende as grandes manifestações da psique como um conflito entre as tendências sexuais (ou libido) e as fórmulas morais e limitações sociais impostas ao indivíduo. Esses conflitos geram os sonhos, que seriam, segundo a interpretação freudiana, as expressões deformadas ou simbólicas de desejos reprimidos. Eles geram também, os atos falhos ou lapsos, distrações falsamente atribuídas ao acaso, mas que remetem ou revelam aqueles mesmos desejos.
Existem muitas especulações acerca da vida de Freud, mas um fato que pode ser comprovado, diz respeito a seu estado de saúde. Afirma-se que ele sempre apresentou um quadro clínico de saúde debilitado, mas entre os anos de 1938 e 1939, esse estado se agravou bastante. Um câncer lhe alcançou a boca e a mandíbula, além dele sofrer muitas dores. Passou por mais de 33 (trinta e três) cirurgias, na tentativa de conter a doença e diminuir o seu sofrimento. Ele morreu no ano de 1939, na cidade de Londres.
Outra informação mais recente, e que inspirou o escritor macedônio Goce Smilvski (A Tribuna, 05/01/2014), a escrever um romance sobre a vida do psicanalista e suas irmãs, traz como pano de fundo que, quando Freud se refugiou em Londres durante o auge do Império Nazista, ele teve a possibilidade de fazer uma lista com nomes de pessoas para receberem vistos de saída da Áustria juntamente com Ele.
Interessante que nesta relação, ele incluiu sua mulher, os filhos, os netos, a cunhada, duas empregadas, o médico particular de sua família e um cachorro de estimação. Entretanto, as irmãs do psicanalista, Adolfine, Rosa, Pauline e Marie, foram esquecidas.
Conta ainda o autor dessa obra de ficção, que devido à origem judia da família do psicanalista, suas irmãs acabaram sendo enviadas para campos de concentrações nazistas, aonde vieram a morrer.
Se o enredo deste livro apresenta fatos reais, não se sabe, ou trata-se apenas de mais uma ficção, talvez não consigamos afirmar com exatidão, mas traz novos contornos sobre a vida deste renomado médico, psicanalista e pesquisador.
   
2. O PSIQUIATRA, O PSICÓLOGO E O PSICANALISTA.

Será que existe diferença entre estas três categorias de profissionais que atuam na área de saúde mental? A resposta para este questionamento estará sendo apresentada nesta parte do trabalho. Toda a transcrição aqui apresentada estará fundamentada numa entrevista concedida pelo médico psiquiatra e psicanalista Jorge Forbes, para um canal da televisão brasileira, programa este intitulado de “Por Dentro da Mídia”, tendo como patrocinador a instituição LFG (Luiz Flávio Gomes). Na época da entrevista, ele era presidente do Instituto de Psicanálise Lacaniana. Entretanto, outras fontes literárias e de pesquisas foram feitas, para dar maior suporte ao tema proposto e trazer esclarecimento sobre o questionamento inicial levantado.
Vale colocar em relevo, que ainda existe muita dúvida sobre a atuação desses profissionais pela população em geral. Talvez, segundo Forbes, ela se dê pelo fato de ambos trabalharem com coisas diferentes, mas que estão focadas ou denominadas com o mesmo título. Para contribuir com esta dúvida popular, muitas vezes, as pessoas costumam denominá-la de psicoterapia. No entanto, se faz necessário, de forma sucinta, apresentar as diferenças básicas existentes em suas atuações junto aos seus pacientes.

2.1 Quem é o Médico Psiquiatra?

Segundo Forbes, é uma pessoa que fez o curso de medicina durante o período de seis anos e que depois desse tempo, escolheu fazer uma especialização na área de psiquiatria, a chamada residência médica[2]. Que, na maioria dos casos, dura entre dois ou três anos. Tudo isso para se tornarem médicos especialistas em Psiquiatria. Concluído o período de residência, são registrados no Conselho Regional de Medicina, que é o órgão regulamentador do exercício profissional. 
Esse profissional terá como função primordial, cuidar de pessoas que apresentem alterações psíquicas que está afeta ou inserida no campo da medicina. Pelo principio geral da medicina, existe um padrão de comportamento tido como normal que deve se esperar de todo individuo. Quando uma pessoa apresenta um comportamento que se afaste ou distancie deste padrão (avaliado como normal), o médico psiquiatra poderá usar alguns recursos para tentar ajudá-los; entre eles: a prescrição farmacológica (uso de medicamentos), o recurso físico (antigamente usava-se banhos, choques etc.) ou o uso de psicoterápicos.

2.2  Quem é o Psicólogo?

É uma pessoa que fez o curso de psicologia durante cinco anos e que durante esse período, geralmente se identifica com uma das divisões apresentadas no transcorrer do próprio curso, para atuar na sociedade. Dito em outras palavras, ao se formar, o psicólogo precisa se registrar no Conselho Regional de Psicologia da região onde pretende trabalhar. Há taxas a pagar e cabe ao conselho regulamentar e fiscalizador, o cumprimento do código de ética que regulamenta essa profissão, entre uma série de outras atribuições muito relevantes.
Com o número do CRP em mãos, o psicólogo pode exercer as atividades para as quais tenha se preparado academicamente, ou seja, conforme a grade curricular e os estágios realizados. Cada um pode estar de fato qualificado a trabalhar num dado campo de atividade e não em outro. Entre esses campos de trabalho, destacam-se alguns como sendo: psicologia do trabalho, psicologia clínica, psicologia da educação, entre outras. Eles irão atuar na tentativa de entender o comportamento apresentado pelos seres humanos e, inclusive alguns, podem se interessar em querer entender o comportamento de animais.

2.3  Quem é o Psicanalista?
Esse profissional, segundo Forbes, distancia-se dos outros anteriores (psiquiatra e psicólogo), haja vista que ele compromete o paciente no seu sofrimento. Ele parte dum princípio diferente da ética médica, colocando uma responsabilização da própria pessoa com o seu sofrimento, isto é, o paciente só pode mudar o seu quadro de sofrimento (inconsciente) apresentado ao psicanalista, caso ele se de conta daquilo que ele mesmo está se queixando (consciente).
Nesse momento (na sessão de análise), o analista tem que tentar fazer com que suas experiências de vida (do paciente) ganhem mais sentido do que já tem. A psicanálise deve ampliar sua potencialidade da vida, ela tem que levar o paciente a se sentir responsável pela sua dor, mas também, pelas suas conquistas. Muito oportuno acrescentar neste tópico, uma definição sobre a pessoa deste profissional, assinalada pela psicanalista Cássia Rodrigues:

 “Ser psicanalista não é ter uma profissão, é ter o privilégio de possuir informações sobre as pessoas que nem mesmo elas sabem ou conhecem”.

Para colaborar com a fala de Rodrigues, Irisomar Fernandes (2013), apresentou em sala de aula, um objetivo da psicanálise citando o Dr. Aloisio Barcelar (SPOB/RJ): “A psicanálise pretende dar ao paciente, um conhecimento especial de si mesmo”. Fernandes ainda acrescentou outro conceito sobre este tema, citando Elizabeth  Roudinesco:

 “A psicanálise é um tratamento baseado na fala, em que o fato de verbalizar o sofrimento, de encontrar palavras para expressá-lo, permite se não curá-lo, ao menos tomar consciência de sua origem e, portanto, assumi-lo”.

Por fim, percebe-se na definição de Roudinesco, que ela repete com outras palavras o que dissera Forbes, ou seja, o paciente precisa verbalizar para o psicanalista quais são as angustias que te atormentam, para que este profissional possa levá-lo ao descobrimento das causas e, quem sabe, assim, curá-los. 
Portanto, o papel do psicanalista deve estar focado numa observação constante do paciente durante as análises e na sua relação dialógica com o paciente, com o propósito de, pelo menos, suavizar suas dores e sofrimentos, mas devendo mostra-lhe sua parcela de responsabilização.

CONCLUSÃO
Não resta dúvida de que as pesquisas e teorias freudianas foram e são até os dias de hoje, de uma riqueza gigantesca para compreendermos o processo de iniciação da aprendizagem humana como um todo, principalmente sobre a sexualidade infantil e o nível de conhecimento adquirido pelo homem no decorrer dos anos.
Como foi de vital importância conhecer que muitas de nossas motivações são inconscientes e que a ocorrência do desenvolvimento da sexualidade infantil pode, e geralmente se dá, de uma forma muito espontânea e natural. Por isso, temos que dar maior relevância aos primeiros anos de vida dessas crianças, para que possa haver melhor estruturação em sua formação e de sua personalidade.
Freud descobriu a existência de um ser muito complexo, bem como a descoberta de que este ser era dotado de um grande conhecimento intelectual. Pode-se afirmar, que por meio de seus vários estudos e pesquisas, que tanto a sexualidade como o processo de civilização humana é algo que ocorre de forma natural, e que estará presente na vida de qualquer ser humano.
Não podemos esquecer de que a “criança não é um adulto em miniatura”; por isso precisamos rever nossos conceitos, valores e opiniões, e compreender que a criança irá apresentar de forma natural e espontânea sua sexualidade, tudo isso no decorrer de seu desenvolvimento social e familiar, pois estará confirmando estar em plena fase de sua evolução motora, biológica, cognitiva e social.

REFERÊNCIAS

FERNANDES, Irisomar. Introdução às práticas psicanalíticas. Material virtual disponibilizado pelo professor da disciplina. CETAPES, 2013.

WIELENSKA, Regina. Psiquiatra, psicólogo, psicoterapia, psicanálise: qual o significado dessas palavras? Disponível em: http://www2.uol.com.br/vyaestelar/comportamento_psicoterapia.htm

SMILEVSKI, Goce. Romance sobre Freud e suas irmãs. Matéria do Jornal A Tribuna: Vitória, página 8, 2014.



[1] Licenciatura plena em Educação Física; Bacharel em direito; Especialista em Direito Militar.
[2] Residência Médica. É uma modalidade de ensino de pós-graduação destinada a médicos, sob a forma de curso de especialização. Os pós-graduandos realizam atividades profissionais sob a orientação de médicos especialistas.

Um comentário:

  1. Procuramos neste simples artigo, apresentar as diferenças básicas entre o Psiquiatra, Psicólogo e o Psicanalista. O tema foi sugestivo, tendo em vista que era uma dúvida nossa, como também, acreditamos ser a de muitas pessoas da população.

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